Soja: Brasil tem semana de vendas paradas, pouco avanço da colheita e baixas de até 7% no interior

05/02/2016

Com uma junção de fatores que ainda carregam incertezas, os mercados interno e internacional da soja caminharam de lado durante toda a última semana. No entanto, no balanço semanal, as cotações da oleaginosa praticadas no interior do país acumularam baixas de mais de 5% nas principais praças de comercialização e, nos portos, perderam mais de 3%.

Em São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, o preço da saca recuou 7,46% para R$ 61,00 por saca; já em Cascavel, Paraná, baixa de 4,76% para R$ 70,00 e em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, baixa de 4,05% para R$ 71,00. Já em Campo Novo do Parecis e Tangará da Serra, no Mato Grosso, baixas de 4,69% para R$ 61,00/saca.

Nos portos, o destaque ficou para a soja da safra nova, que perdeu 5,45% em Paranaguá, para fechar a semana com R$ 77,00, e 3,95% em Rio Grande, para terminar com R$ 80,20 por saca. Já o produto disponível recuou, respectivamente, 3,75% e 3,66%, para R$ 77,00 e R$ 79,00.

Na Bolsa de Chicago, as baixas foram mais brandas e passaram rapidamente de 1% nos principais vencimentos. Segundo explica o consultor em agronegócio Ênio Fernades, o mercado encontra dificuldades em deixar o intervalo de US$ 8,50 a US$ 9,00 por bushel em função da falta de fundamentos. Assim, o vencimento maio/16, referência para a safra brasileira, fechou valendo US$ 8,71 por bushel. Na sessão desta sexta-feira (5), as baixas foram de mais de 5 pontos.

Clima e Safras na América do Sul

A maior preocupação sobre a nova safra da América do Sul, nesse momento, tem sido com as condições climáticas da Argentina. A segunda quinzena de janeiro foi de tempo seco e muito quente, reduzindo as reservas hídricas do solo e começando a tirar o sono dos produtores rurais.

Uma severa onda de calor atingiu o país, porém, nesta sexta-feira (5), as chuvas começaram a voltar à região Central e as últimas previsões indicam a chegada de tempestades nas áreas de Cuyo, Noroeste argentino e oeste de Córdoba, além do Centro-Sul de Buenos Aires e os Pampas. As informações partem do Instituto de Clima e Água da Argentina.

No Brasil, a semana foi marcada por irregularidade da chuvas novamente. As precipitações continuam chegando em forma de pancadas em quase todo o país, com exceção de pontos localizados do Rio Grande do Sul, norte de Minas Gerais e no Espírito Santo. Na região do MATOPIBA, as chuvas ainda continuam e seguem trazendo preocupação aos produtores.

Segundo o meteorologista da Climatempo, Alexandre Nascimento, as chuvas devem voltar ao Centro-Norte do Brasil nos próximos 15 dias e nos estados de Tocantins, Bahia, Pará e em pontos de Goiás, os acumulados podem chegar a 150 mm. Já em Mato Grosso e no Sul brasileiro, o tempo deve ficar mais estável, com condições favoráveis para a colheita da soja.

E segundo a consultoria Safras & Mercado, até a última semana, o índice de colheita na área cultivada no Brasil chegou a 8,4%, contra 7,9% de média dos últimos cinco anos. Ainda nesta semana, a Conab revisou sua estimativa para a safra brasileira 2015/16 e o número esperado agora é de 100,9 milhões de toneladas, contra as 102,1 milhões projetadas em dezembro.

Já o adido do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no Brasil projeta a safra do país em 98 milhões de toneladas e o departamento, para a Argentina, aposta em 58,5 milhões de toneladas. E as divergências entre os números trouxeram, durante toda a semana, especulações sobre com quanto de soja a América do Sul chegará ao mercado.

Demanda

Nestes próximos dias, até 13 de fevereiro, a China deve estar menos presente no mercado internacional já que se comemora, durante esse período, o feriado mais importante do país, o do Ano Novo Lunar. E essa condição deverá deixar os negócios, portanto, ainda mais mornos, apesar de a demanda da nação asiática continuar firme e crescendo.

Segundo relatou o analista de mercado e economista da Granoeste, Camilo Motter, instituições chinesas que acompanham os números de importações locais indicam um novo ano de compras recordes, que poderia chegar a algo entre 84 e 85 milhões de toneladas. E, com a competitividade trazida pelo câmbio, as compras se focam para o produto sulamericano.

“A demanda está se voltando para a América do Sul, que estará colhendo soja nos próximos meses”, explica Bob Burgdorfer, analsita de mercado do portal norte-americano Farm Futures.

Essa migração já pôde ser confirmada ao longo da semana com os números dos embarques e vendas semanais para exportação de soja dos EUA trazido nos últimos boletins do USDA.

Na última semana, o país embarcou 1.153,438 milhões de toneladas e recuou ligeiramente em relação à semana anterior, quando o volume foi de 1.198,206 milhão, o número, porém, ficou dentro das expectativas do mercado. O volume acumulado na temporada atual é cerca de 5 milhões de toneladas menor do que o registrado no mesmo período da anterior.

Já as vendas semanais apresentaram um resultado mais fraco e pressionaram as cotações, porém, de forma bastante pontual. Foram canceladas 43,6 mil toneladas da safra atual e vendidas 65,7 mil toneladas da nova. Dessa forma, o total ficou bem abaixo das expectativas do mercado, que variavam entre 400 mil e 600 mil toneladas. As vendas de soja para exportação do presente ano comercial estão 11% menores do que o registrado na campanha 2014/15, quando os Estados Unidos registraram um ano de níveis e ritmo recorde de vendas.

No Brasil, porém, as exportações seguem fortes – embora os compradores também se mostrem ligeiramente retraídos neste momento, esperando um avanço maior da colheita e aguardando pelo produto da nova safra.

Comercialização

A comercialização, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, está travada. Os negócios pouco evoluem em parte por conta das especulações que tiram a direção das cotações em Chicago, bem como pelo atual momento, que não se mostra favorável para nenhum dos dois maiores fornecedores globais de soja.

O sojicultor brasileiro já comercializou antecipadamente mais de 50% da safra 2015/16 e as adversidades climáticas dos últimos meses tiraram parte de sua produtividade em diversas regiões, em muitas delas, alguns produtores nem ao menos conseguiram cumprir parte deles.

Além disso, mesmo que ainda leve, o impacto do avanço da colheita no país e um dólar mais fraco, neste momento, frente ao real já começam a pesar sobre as cotações praticadas para a soja no interior do Brasil e nos portos, desestimulando os vendedores.

As baixas sentem ainda, segundo explicou Camilo Motter, os preços se encaminhando para um ajuste à paridade de exportação. “E essa situação ocorre porque, com a entrada da safra nova, os preços domésticos vão entrando na paridade de exportação. Neste período, para que os preços internos subissem precisaria haver uma forte alta combinada entre as variáveis que formam o preço”, explica Motter.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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