Cafeicultores africanos veem preço baixo com alta produção no Brasil

07/02/2016

(Bloomberg) — Cafeicultores africanos esperam preços baixos no mercado mundial em 2016 já que a produção elevada no Brasil pode prejudicar expectativas de um aumento.

“A produção brasileira está bem alta para a próxima temporada, por isso não há falta café e, portanto, o mercado não pode sustentar preços elevados”, disse em entrevista Abdullah Bagersh, presidente da Associação de Cafés Finos da África. “Os preços podem cair? Claro que sim, porque já vimos preços mais baixos do que os atuais. Assim, não podemos descartar a possibilidade de o mercado cair mais”.

O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, pode produzir até 52 milhões de sacas de 60 kg neste ano, comparado com 43,2 milhões de sacas em 2015, de acordo com a Conab. A safra se encontra na fase de maior produtividade do ciclo de dois anos.

O preço médio negociado em Nova York caiu 40 por cento desde o começo do ano passado para 120 centavos de dólar a libra-peso, disse Bagersh na quinta-feira durante uma conferência setorial em Dar es Salaam, a capital de negócios da Tanzânia.

O fenômeno El Niño afetou alguns países no continente, mas não o suficiente para afetar o mercado, disse Bagersh.

O efeito foi mais severo em outras regiões. Em algumas áreas da Colômbia, fazendeiros afirmaram ter perdido aproximadamente 90 por cento da safra após a seca provocada pelo El Niño, de acordo com a Federação Nacional de Cafeicultores do país.

A África é responsável por apenas um décimo da produção mundial total, na comparação com uma parcela de 20 por cento entre as décadas de 1970 e 1990, disse Tim Schilling, diretor executivo da World Coffee Research, durante a conferência.

Os cafeicultores africanos querem ampliar a produção para níveis significativos, mas estão focados em grãos especiais como forma de proteção contra a volatilidade dos preços e também na recuperação de participação de mercado, disse Bagersh.

“Como um segmento de mercado, o de cafés especiais é o que mais cresce”, disse ele. “Na Europa e nos EUA, o mercado de commodity é maduro, mas o mercado de especialidade ainda cresce. Isso prova para nós que os cafés especiais estão no caminho para realmente continuar crescendo”.

Joseph Burite

Fonte: Bloomberg

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