Helicoverpa armigera: “Brasil não pode viver só de agricultura orgânica”

07/02/2016

Um dos maiores desafios vividos pelo setor produtivo rural brasileiro é a falta de soluções para a proteção dos cultivos. A chegada da Helicoverpa armigera, há três anos, escancarou os sérios problemas estruturais do setor público que deveria amparar os agricultores afetados pelas diversas pragas e doenças que assolam um país de clima tropical.

Os problemas brasileiros vão desde a morosidade na avaliação e registro de produtos de defesa vegetal, passam pelo famigerado uso político dos órgãos que deveriam ser técnicos e acabam nos entraves ideológicos que fazem com que uma solução demore até cinco anos para chegar ao campo. Ouvida com exclusividade pelo Portal Agrolink, a Doutora em entomologia Cecilia Czepak analisa as agruras que afetam o setor nesta última reportagem da série “Helicoverpa armigera”.

“A obtenção de registros é extremamente morosa no país. Os responsáveis precisam ouvir as classes produtivas, pois não é possível manter os maiores interessados fora desse sistema. É necessário que eles saibam o que os produtores passam no campo, para saberem dosar melhor as regras no momento de liberar esse ou aquele produto, sem é claro, comprometer o consumidor e o meio ambiente”, aponta.

A especialista não considera ultrapassado o sistema brasileiro que divide a tarifa entre Anvisa, Mapa e Ibama: “Cada um cumpre o seu papel nas áreas que lhes são atribuídas, mas alguns precisam se atualizar um pouco mais sobre os verdadeiros problemas da agricultura, e deixar de fazer um pouco esta política ‘socioambientalista’”.

“O Brasil não pode viver só de agricultura orgânica, infelizmente. O país precisa produzir, pois a agricultura é que tem sustentado nossa economia. Produzir exige tecnologia, portanto, neste caso, os agroquímicos não podem ficar de fora. O que precisamos talvez são leis que exijam dos produtores a adoção destas tecnologias de forma discriminada e com consciência, e que venham a ser fiscalizados de forma contínua pelos órgãos competentes”, sustenta Cecilia.

Ela aponta ainda o problema da fiscalização sobre como se está utilizando esse produto no campo: “é muitas vezes falha. Isso porque não temos uma política de manutenção dos órgãos fiscalizadores no campo, que sofrem continuamente cortes de verbas e de pessoal, tornando a fiscalização quase impossível num país com a extensão territorial do Brasil”.

“Entretanto, não seria somente essa a mudança, pois enquanto os nossos governantes continuarem a rifar os altos cargos, colocando pessoas do seu interesse partidário em detrimento ao setor e não levando em conta o grau de conhecimento técnico do responsável pela pasta, tenho dúvidas sobre qualquer mudança. Estamos a mercê de interesses muitas vezes político-partidários, e isso é uma pena”, analisa.

“Os altos cargos do governo só poderiam ser preenchidos por pessoas da área, que tenham passado por concurso público, sem o incômodo da indicação política. Assim talvez acabariam, ou, pelo menos, diminuiriam esses desmandos no país. No mínimo não haveria cobranças de interesse exclusivamente partidário, como as que acontecem atualmente”, conclui.

Autor: Leonardo Gottems

Fonte: Agrolink

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