Especialista ensina como preservar a criação de abelhas em climas extremos

09/02/2016

Algumas regiões do Brasil tem picos positivos e negativos de temperatura e os apicultores devem tomar alguns cuidados para não perder o enxame

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Em situações extremas, as abelhas não têm grandes produtividades de mel, usando o doce apenas para sobreviver (Foto: Norio NAKAYAMA/CCommons)

As abelhas são insetos muito sensíveis às mudanças em seu habitat, seja pela seca, chuva em excesso, calor e frio. Para manter a produção de mel em alta, ou pelo menos cuidar da sobrevivência das colmeias, Breno Freitas, professor da UFC e conselheiro da associação A.B.E.L.H.A., dá dicas de preservação do enxame em situações extremas.

Estes insetos agem em conjunto para regular as condições climáticas no interior da colmeia, mas para isso existe um limite. Segundo conta o professor, nos locais com excesso de calor as abelhas buscam água e ventilam a colmeia. Se o calor continua, elas se espalham entre os favos aumentando o espaço entre elas para permitirem a circulação de ar. Se não funcionar, elas se entregam e param de trabalhar. Parte das abelhas sai da caixa para reduzir o calor corporal que geram dentro da colmeia e formam grandes barbas ao redor da entrada da colmeia e ficam penduradas logo abaixo. Se nada disso funcionar, as larvas começam a morrer e elas abandonam a colmeia.

No caso do frio extremo, elas param de trabalhar e se aglomeram bem juntas sobre a área de cria para conservar o calor corporal e aquecer as larvas. Também consomem mel e vibram a musculatura do abdomem para gerar calor. Se alguma larva ficar fora dessa cobertura, ela morre de frio. Nos casos de muito frio mesmo, as abelhas da periferia do aglomerado perdem muito calor e resfriam. Então, para não morrerem de frio, elas reversam com as abelhas que estão na parte mais interna de forma que possam se aquecer novamente, e o processo continuar.

“Nessa situação, é importante que a reserva de mel ou alimentação dada pelo apicultor esteja logo acima do aglomerado de abelhas, pois nessa situação de muito frio elas não abandonam a formação para procurarem por alimento em outras partes da colmeia, morrendo de fome e frio mesmo que haja alimento na colmeia”, alerta Freitas.

A temperatura ideal para a espécie de abelha que exploramos na apicultura, a apis mellifera ou africanizada, como é conhecida, varia de 33°C a 36°C, e a temperatura dentro do ninho quando há a produção de larvas é mantida dentro desse intervalo. Caso não haja larvas, a temperatura pode variar fora desses limites, embora temperaturas abaixo de 33°C já seja frio e acima de 36°C seja calor.

As abelhas têm mecanismos de controle da temperatura corporal. “Os insetos adultos conseguem ir a campo e trabalhar até temperaturas de 12°C porque o calor que geram ao voar compensa a perda de calor para o ambiente. Abaixo dos 12°C isso não acontece mais, e a abelha morre de frio”, explica o pesquisador. Quando isso acontece, elas permanecem na colmeia.

“Por outro lado”, continua Freitas, “quando o calor é grande, as abelhas conseguem voar até temperaturas de 40°C. Elas se refrescam colocando gotas de néctar ou água que trazem no papo na língua, para que evaporem e eliminem o excesso de calor”. Acima dos 40°C as abelhas têm grandes dificuldades de voar e geralmente permanecem na colmeia nesses horários mais quentes.

Nas condições extremas, Breno Freitas explica que as abelhas não conseguem produzir. “A questão aqui é evitar que abandonem as colmeias e/ou assegurar a sobrevivência da colônia no melhor estado possível para que venha a produzir bem quando as condições favoráveis retornarem”, indica.

Os cuidados que os apicultores devem tomar variam se a região atinge mais picos de frio ou calor. Veja as dicas do especialista:

Em locais quentes
– Escolha bem onde vai colocar as caixas de abelha. As colmeias devem estar sombreadas, com árvores ou coberturas, para evitar a elevação interna da temperatura e o desgaste das abelhas em buscar grandes quantidades de água e ventilar, ao invés de buscar néctar e pólen. “Caso isso não seja feito, pode-se ter grande mortandade de larvas e até o abandono da colmeia por parte das abelhas”, ensina Freitas.

– Disponibilize fontes de água limpa e abundante na proximidade das colmeias. Na falta de alimento natural no campo, ou seja, as floradas das plantas, deve alimentar as colônias ou dividir o apiário em várias unidades menores (por exemplo, um apiário de 60 colmeias seria dividido em quatro apiários de 15 colmeias) em locais diferentes da propriedade. “A ideia é diminuir a quantidade de abelhas em busca de alimento em uma mesma área e no mesmo tempo”, conta. Se nada disso der resultado, o apicultor deve migrar com as abelhas para locais onde a situação de floradas esteja melhor.

Em locais frios
– Na escolha do local para os apiários, evite pontos onde vente muito;

– Se a época fria for caracterizada por dias com pouca luminosidade e sol, evite locais expostos; porém se o frio for associado a dias de céu limpo, sem nuvens e ventos, então o apiário deve ser localizado a céu aberto para receber a luminosidade e ajudar a aquecer a colmeias;

– A entrada das colmeias também devem ser voltadas para o lado contrário ao dos ventos prevalecentes na região, mesmo que sejam fracos. O apicultor também deve reduzir a entrada da colmeia para barrar os ventos;

– Assegure-se de que haja reservas de mel suficiente nas colmeias para aqueles dias que as abelhas não poderão ir a campo buscar alimento. Na falta de mel, alimente as colônias com produtos adequados;

– Evite abrir as colmeias no frio, mesmo que rapidamente. Isso leva a perda de calor e as abelhas terão um desgaste enorme de energia e de alimento para conseguir elevar a temperatura até as condições aceitáveis novamente.

POR TERESA RAQUEL BASTOS

Fonte: Globo Rural

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