Expectativa para 2016 no setor atacadista em Mato Grosso é de contenção de despesas fixas

11/02/2016

Pela primeira vez nos últimos 15 anos o setor atacadista fechou um ano em declínio. Este foi o reflexo de 2015 no setor diante a retração do consumo no varejo. A tendência para 2016, segundo o segmento, “não são otimistas, mas desafiadoras”, diante perspectivas de contenção de despesas fixas.

O primeiro semestre de 2015 para o setor atacadista apresentava uma tendência de crescimento de 1,5% para o ano, entretanto acredita-se que o ano tenha encerrado com retração de 1%, uma vez que os números ainda estão sendo encerrados.

Na opinião do presidente do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor de Mato Grosso (SINCAD-MT), Sérgio José Gomes, o resultado é um reflexo do consumo no segmento varejista que apresentou retração visto o incremento da taxa de desemprego, impacto no preço das mercadorias diante a elevação do custo com frente, uma vez que o óleo diesel subiu mais de 15% em 2015, entre outros fatores.

Segundo Gomes, em entrevista ao Agro Olhar, as perspectivas para 2016 não são animadoras.

Confira a entrevista do presidente do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor de Mato Grosso (SINCAD-MT), Sérgio José Gomes:

Agro Olhar – Como foi o ano de 2015 para o setor atacadista em Mato Grosso diante a situação econômica do estado e do país? Quais foram os efeitos da crise?

Sérgio José Gomes – Até o 1º semestre/2015 o mercado teve um comportamento com tendência de crescimento de 1,5%, porém diante da crescente crise politica e com consequências econômicas no decorrer do 2º semestre/2015 estima-se um fechamento de – 1 % (um por cento negativo) na somatória anual, na qual será divulgado em breve pela ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores) tão logo termine o fechamento dos apontamentos das pesquisas feitas no Brasil Inteiro. É a primeira vez que acontece nos últimos 15 anos, em que o setor fechará em declínio. É o reflexo do consumo no varejo com forte retração devido a vários fatores como desemprego, aumento excessivo dos preços de combustíveis que incidem sobre frete e consequentemente produtos e serviços, outro fator preponderante são produtos correlatos ao dólar como trigo, carne, cacau, soja, bem como todos os insumos importados em produtos de higiene humana. O dólar acumulou de janeiro/2015 a Janeiro/2016 um aumento de 66,75%.

Agro Olhar – Quais as perspectivas para 2016 no setor?

Sérgio José Gomes – Não são otimistas, mas desafiadoras. As expectativas são de contenção de despesas fixas, juros bancários sobre empréstimos, equilíbrio na aquisição de produtos com estoques reguladores mais baixos com prioridade nos itens de maior giro. Tudo isso para que as empresas possam sobreviver em meio às turbulências de um mercado incerto como é hoje o mercado brasileiro.

Agro Olhar – O que para o setor atacadista em Mato Grosso significa a decisão do Copom em manter a Taxa Selic em 14,25% ao ano?

Sérgio José Gomes – O setor atacadista com movimento mais acentuado, que é o de alimentos e secos e molhados, possui um giro muito rápido de consumo se comparável a outros segmentos de bens duráveis. Dessa forma, a necessidade de prover recursos extras em momentos de “rush” é fundamental. Com as atuais e elevadas taxas de juros, o custo de quem necessita de dinheiro fica escasso e mais caro, o que pode resultar em dificuldades do empresário em manter o seu negócio em pleno movimento e um produto mais caro ou com a rentabilidade prejudicada. É uma cadeia de eventos econômicos: a taxa Selic é a base de quanto custa o dinheiro. Quanto mais caro, menos investimento, menor rentabilidade para as empresas que buscam recursos financeiros. Produtos mais caros têm menor giro em gôndolas e com isso menor resultado de faturamento.

Agro Olhar – Em 2015, Mato Grosso registrou o fechamento de 4.078 postos de trabalho, dos quais 54 referiam-se ao comércio atacadista. Como está a empregabilidade no segmento hoje?

Sérgio José Gomes – Esses números são inerentes a colaboradores contratados via CLT. Os postos de trabalhos do setor atacadista e distribuidor em sua maior proporcionalidade são de profissionais no regime de RCA (Representação Comercial Autônoma). É um profissional que deve ter qualificação e preparo técnico de vendas e produtos para exercer sua produtividade com êxito. Apesar do ambiente de retração econômica, o SINCAD-MT (Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor de Mato Grosso) e a AMAD (Associação Mato-grossense de Atacadistas e Distribuidores), em parceria com o CORE-MT (Conselho Regional de Representantes Comerciais de Mato Grosso), têm buscado preparar pessoas que queiram ingressar no ramo de representação comercial, pois esse tipo de profissional ainda é de difícil alocação.

Agro Olhar – Quais as maiores dificuldades do setor atacadista em Mato Grosso? Carga tributária e logística são as principais?

Sérgio José Gomes – A logística é uma dificuldade, mas é para todos, não há distinção. A maior dificuldade do segmento é a desigualdade da carga tributária existente em estados vizinhos (guerra fiscal) que possuem benefícios fiscais, como exemplo: Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Minas Gerais que, em média, possuem carga tributária correspondente a 1,5% e 2% sobre os preços vendidos para os clientes varejistas (supermercados, mercados, mercearias, conveniências etc ) no estado de Mato Grosso. Rondônia é uma situação pior, pois as empresas que de lá vem atuar em Mato Grosso comercializam seus produtos provenientes sem atribuir em seus preços de venda o IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) que varia de 5% até 30% a menor, dependendo da categoria de produto. Vende sem recompor tais preços, o IPI, pois Rondônia é um estado que possui o benefício da Suframa (isento de IPI).

O Governo de Mato Grosso, com vistas a diminuir este impacto, atribui ao segmento atacadista distribuidor de gêneros alimentícios e secos e molhados, por meio da Lei 9855/2012, uma carga minorada correspondente a 8,10% sobre operações de aquisições de entrada, excetuando-se desta carga as bebidas alcoólicas, medida esta, adotada recentemente e que prejudicou sobremaneira as vendas de tais produtos no abastecimento de final de ano. O SINCAD-MT e a AMAD estão dialogando com o governo, para que seja revista a carga da bebida, pois da forma aplicada hoje (25% + 12% = 37%) sobre preços incidentes numa lista de valores mínimos, representa a maior carga tributária do Brasil, com alguns produtos aonde o imposto (ICMS) chega a ser maior que o próprio produto. Tais estudos estão sendo promovidos junto com o Governo Estadual, e que diga-se de passagem, se faça Justiça, tem sido receptível a ouvir, compreender, e que, uma vez constatada tal distorção, seja corrigida provendo o equilíbrio necessário.

Agro Olhar – O setor tem conversado com o governo de Mato Grosso, assim como os demais setores econômicos, em busca alternativas de atração de desenvolvimento para a atividade?

Sérgio José Gomes – Sim, o governo Pedro Taques e sua equipe de secretários têm nos recepcionado bem e mostrado preocupação com este setor que tem uma função enorme na cadeia de abastecimento de produtos, nas mais diversas regiões do Estado. Por isso, estão sendo desenvolvidas alternativas que visam não somente fortalecer o setor no seu raio de atuação no mercado interno (dentro do Estado), mas, principalmente nos mercados fora do estado, uma vez que o faturamento das empresas se resume em 98% de suas vendas no próprio estado, na contramão da política de estados vizinhos que proporcionam ferramentas tributárias para que as empresas atacadistas de seus estados invadam Mato Grosso com as suas vendas, retirando nossos empregos e renda. Temos a confiança de que esses estudos sejam logo implementados pelo Governo.

Agro Olhar – Qual segmento do setor atacadista e de distribuição lidera em Mato Grosso? É o de alimentos? Caso sim, o que falta para atrair outros segmentos?

Sérgio José Gomes – O segmento atacadista/distribuidor essencialmente é aquele agente intermediário entre a indústria e o varejo (mercados, supermercados, farmácias, conveniências etc). Portanto, no Mato Grosso e no Brasil inteiro têm se destacado com uma atuação forte o canal de alimentos (secos, frios ou molhados), bebidas, hortifruti, limpeza doméstica, higiene pessoal, cosméticos e medicamentos, por se tratarem de produtos de alto giro, o que exige um abastecimento mais rápido e que o canal de abastecimento direto (indústria) não consegue atender a demanda. As demais categorias de produtos, embora possuam atuação no mercado atacadista/distribuidor, são em menor proporcionalidade.

Da Redação – Viviane Petroli

Fonte: AgroOlhar

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