Milho: Em Rio Grande, preço acompanha valorização do dólar e sobe para R$ 43,00/sc nesta 5ª feira

11/02/2016

A quinta-feira (11) foi positiva ao preço do milho negociado no Porto de Rio Grande, que subiu 4,88% e fechou o dia a R$ 43,00 a saca. No terminal de Paranaguá não houve referência para o cereal hoje. Em Não-me-toque (RS), a saca subiu 1,47% e finalizou o dia a R$ 34,50. Em Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, ambas no Mato Grosso, as cotações subiram 3,70% e 3,85%, com valores de R$ 28,00 e R$ 27,00 a saca, respectivamente. Na região de São Gabriel do Oeste (MS), o ganho foi de 5,71% e o preço ficou em R$ 37,00 a saca.

Mais uma vez, os valores encontraram suporte na valorização cambial. O dólar fechou o dia com ganho de 1,22%, cotado a R$ 3,9837 na venda e já acumula alta de 2,30% nos últimos três pregões. Conforme dados da agência Reuters, o movimento positivo da moeda norte-americana é decorrente da reação o ambiente de aversão ao risco nos mercados mundiais frente às persistentes apreensões em relação à economia global e a nova queda nos preços do petróleo.

Enquanto isso, no mercado interno, as cotações do cereal estão perdendo força e se acomodam em patamares mais baixos com a chegada da safra de verão, de acordo com o pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), Lucílio Alves. “Temos o avanço da colheita da safra de verão, estimada em pouco mais de 27 milhões de toneladas para essa temporada e, que está abaixo da safra anterior, mas que irá suprir a demanda interna”, afirma.

Além disso, o pesquisador ainda sinaliza que a redução no ritmo das exportações também contribui para a acomodação dos preços. De acordo com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), os embarques de milho somaram 30,2 milhões de toneladas na temporada 2014/15. “Na parcial de fevereiro já temos mais de 2 milhões de toneladas embarcadas, mas os line-ups apontam para uma redução de navios nas semanas seguintes nos principais portos, Paranaguá e Santos”, destaca Alves.

E com os preços descolados dos praticados no mercado internacional, os preços no Brasil estão 25% acima dos observados nos EUA e na Argentina, o especialista diz que se torna mais atrativo aos produtores a venda no mercado interno. Já em relação aos leilões de vendas dos estoques públicos, Alves ainda ressalta que apesar do baixo volume ofertado, “as operações mudam a perspectiva dos agentes em relação ao ritmo do mercado, que tem oferta, mesmo que pontualmente”.

A Conab realiza mais dois leilões na próxima terça-feira (16), com volume total ofertado de 150 mil toneladas. Ainda hoje, a entidade reportou os valores iniciais das operações, entre R$ 23,40 e R$ 31,20 a saca de 60 kg. No total, a projeção é que sejam negociadas 500 mil toneladas do grão. “No último leilão, vimos ágios nos lotes o que sinaliza que os compradores estão interessados no produto ofertado pelo Governo”, acredita.

Diante desse cenário, o pesquisador ainda relata que é preciso esperar a segunda safra de milho. Com o avanço da colheita da soja, os produtores têm conseguido evoluir com os trabalhos de plantio. “Claro que ainda temos observar o comportamento do clima e o investimento em tecnologia”, completo.

BM&F Bovespa

Durante as negociações desta quinta-feira (11), as cotações futuras do milho negociadas na BM&F Bovespa reduziram os ganhos e fecharam o dia em campo misto. Ainda assim, o vencimento março/16 se sustentou no patamar de R$ 41,00 a saca, cotado a R$ 41,06 a saca e alta de 1,89%. Já o maio/16 era negociado a R$ 38,25 a saca e valorização de 0,39%. Apenas a posição setembro/16 registrou ligeira queda de 0,05, cotada a R$ 36,37 a saca.

Bolsa de Chicago

Já na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços do milho encerraram o dia em campo negativo. A primeira posição, o vencimento março/16, fechou o dia estável a US$ 3,60 por bushel. As demais posições acumularam perdas entre 0,25 e 1,00 pontos. O contrato maio/16 terminou o dia a US$ 3,65 por bushel.

As cotações seguem sem novidades do lado fundamental que possam modificar os atuais patamares praticados. E, apesar do anúncio da venda de 152,4 mil toneladas do cereal para destinos desconhecidos, divulgada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), as vendas para exportação, mais uma vez, ficaram abaixo das projeções dos investidores.

No caso do cereal, as vendas somaram 346,3 mil toneladas na semana encerrada no dia 4 de fevereiro. O volume ficou abaixo das expectativas dos participantes do mercado, entre 800 mil a 1,1 milhão de toneladas. Da safra 2015/16 foram vendidas 405 mil toneladas, uma queda de 64% em relação à semana anterior. O Japão foi o principal comprador do produto norte-americano, com a aquisição de 113,7 mil toneladas.

Da safra 2016/17, o órgão reportou o cancelamento da venda de 58,7 mil toneladas do grão. Dessa forma, no total acumulado na temporada atual, as vendas contabilizam 24.751,1 milhões de toneladas. O volume está 26% abaixo do registrado no mesmo período do ano comercial 2014/15.

Em meio a esse cenário, os participantes do mercado acompanham as informações da produção de milho da Argentina. Após as especulações em relação ao clima seco, as agências internacionais ressaltam que as lavouras sofrem com o pior ataque de gafanhotos dos últimos 60 anos. Paralelamente, os investidores também aguardam uma definição sobre a próxima safra norte-americana.

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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