Rãs são usadas para medir nível seguro de agrotóxicos

11/02/2016

Iniciativa inédita no Brasil, o uso de ovos de rãs para medir o nível de agrotóxicos no ambiente está sendo desenvolvido pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A pesquisa realizada pelo Polo Regional Vale do Paraíba, em Pindamonhangaba, em parceria com o Instituto de Pesca (IP), vai adaptar o teste já realizado em outros países à realidade brasileira, utilizando a rã-touro (Lithobates catesbeianus), como modelo experimental. A espécie é criada, comercialmente, no Brasil, e os ovos podem ser encontrados em qualquer época do ano, facilitando o uso do teste em todo o território nacional.

De acordo com a responsável pelo estudo, a zootecnista Fernanda Menezes França, o objetivo do teste denominado Frog embryo teratogenesis assay – Xenopus (Fetax), é descobrir qual o nível seguro de determinado produto a ser aplicado em diferentes culturas e, ainda, qual é a quantidade máxima para não provocar má-formação embrionária.

“Nossos pesquisadores têm trabalhado com muita dedicação em alternativas para o uso de agroquímicos. Não podemos abrir mão deles, mas existem maneiras de usá-los corretamente. Assim garantimos uma produção agropecuária que agrida menos o ambiente”, ressalta o secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim.

Divisão

Os pesquisadores usam a rã porque, quanto mais novo for o embrião, melhor é para ser analisado o efeito do produto sobre ele. No caso desses anfíbios, os ovos são examinados assim que postos pela fêmea. Para isso, Fernanda induz a desova utilizando hormônios. Ela distribui 25 exemplares em cada uma das 14 placas de análise laboratorial. Uma delas é livre de qualquer agroquímico para ser base de comparação para as outras.

Outra placa serve de controle positivo, pois contém o produto em quantidade para fazer surgir as alterações. Entre os dois extremos ficam cinco placas com diferentes quantidades de agrotóxicos aplicadas. Essa diferença, como explica Fernanda, possibilita saber qual é o nível seguro de utilização do agroquímico ao fim do processo, que demora de quatro a oito dias.

É ao fim deste prazo que a pesquisadora calcula qual é a taxa de mortalidade e de deformidade (e os tipos dela) nos grupos em cada placa, dividindo a quantidade de mortos pela de má-formados – resultando em um número que indica o índice teratogênico do ambiente. “O produto que causa mais má-formação é mais perigoso do que aquele que mata a maioria dos ovos”, apontou Fernanda. Essas anomalias são analisadas nos anfíbios, mas podem ocorrer também em humanos.

Referência

Esse tipo de teste é utilizado pelas fabricantes de agroquímicos obterem a liberação para venda de novos produtos, ou para manter a já existente. Depois de finalizado o estudo, o trabalho será publicado para estabelecer essa adaptação do protocolo que já existe para o Fetax.

O passo seguinte será buscar o selo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), tornando a adaptação brasileira oficialmente reconhecida e pronta para ser levada ao setor agropecuário. Com a padronização de protocolo específico para a espécie escolhida, o teste poderá ser implantado em outros laboratórios e instituições de pesquisa.

Fonte: O Diário de Maringá

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