Como evitar e recuperar danos causados ao cafeeiro pela deriva do herbicida glifosato – Parte2

12/02/2016

Como evitar?

A eficiência na aplicação do glifosato depende do uso de equipamentos e técnicas apropriadas que evitem a deriva. Dentre as principais formas para reduzir a ocorrência de deriva podemos citar práticas como a utilização de pontas com indução de ar (figura 4), que são os chamados bicos anti-deriva, onde os mesmos oferecem menor risco quando comparado a um convencional.

Figura 4. Bicos com indução de ar (anti-deriva).
cafe 1
Fonte: Magnojet.

A utilização de proteções dos bicos, como por exemplo, o chapéu de Napoleão (figura 5) que é colocado nos equipamentos costais ou maquinários é muito viável, pois o funcionamento deste se dá como uma barreira física. A calibragem correta da pressão dos pulverizadores, adequando o diâmetro e peso das gotas também são de grande importância, assim como o uso de adjuvantes na calda de pulverização para aumentar a eficiência do produto.

Figura 5. Chapéu de Napoleão com bico.
cafe 2
Fonte: pulveriçaoecia.com.br

O operador deve estar atento às condições ambientais, assim como no funcionamento do equipamento de pulverização, aferindo a vazão, a velocidade, o desgaste dos bicos, a altura da barra de aplicação, ou seja, todos os fatores que podem influenciar na ocorrência da deriva no cafeeiro.

Recuperação de plantas intoxicadas

Mesmo com todos os cuidados com as tecnologias de aplicação, geralmente são encontrados casos de intoxicação de plantas de café pelo herbicida glifosato. A recuperação das plantas, em desenvolvimento inicial, ocorre somente com o tempo, demorando cerca de 30-45 dias. No entanto, vem sendo realizados estudos com relação a produtos que possam acelerar a recuperação das plantas.

Uma dessas alternativas que estão sendo utilizadas é a pulverização foliar após intoxicação pelo herbicida utilizando sacarose, em razão dos benefícios que vem apresentando para as plantas. A aplicação de sacarose (açúcar comum), em lavouras novas de cafeeiros, mostra resultados eficientes no processo de reversão da intoxicação por esse herbicida.

Outra prática que vem se intensificando, no que diz respeito à recuperação do cafeeiro, é a aplicação de produtos à base de aminoácidos via foliar, reduzindo significativamente os sintomas de fitotoxidez do glifosato. Se tratando da recuperação e desenvolvimento da planta, é importante ressaltar que os aminoácidos estão associados a importantes processos metabólicos da planta.

Curiosidade

A molécula de glifosato possui melhor eficiência em condições ácidas, com pH em torno de 4,0. Entretanto, não é comum a ocorrência deste pH ácido nas águas utilizadas para pulverização, onde as mesmas possuem pH neutro, na faixa de 6,5-7,0.

Contudo, práticas empíricas dos cafeicultores, como adicionar limão na calda de pulverização ou também colocar vinagre (ácido acético) têm apresentado melhora na pulverização, isto por que, o pH da calda diminui e consequentemente a molécula de glifosato terá melhor eficiência.

Além destas práticas empíricas, comercialmente são utilizados condicionadores de calda visando a adequação da melhor faixa de pH para realização de manejos de pulverização de defensivos agrícolas.

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Autores
Giovani Belutti Voltolini1 – Graduando em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras – Ufla, Membro do Grupo de estudos em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia – GHPD e Núcleo de Estudos em Cafeicultura – Necaf.
giovanibelutti77@hotmail.com
Tiago Gonçales Cardeal Naves2 – Graduando em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras – Ufla, Membro do Núcleo de Estudos em Cafeicultura – Necaf.
tiago_navesoo@hotmail.com
Ademilson de Oliveira Alecrim3 – Mestrando em Agronomia – Fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras – Ufla, Membro do Grupo de estudos em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia – GHPD e Núcleo de Estudos em cafeicultura – Necaf.
ademilsonagronomia@gmail.com

Fonte: CafePoint

COMMENTS: Leia a 1ª parte desta matéria no link abaixo:
https://brasilagro.wordpress.com/2016/02/08/danos-causados-ao-cafeeiro-pela-deriva-do-herbicida-glifosato-parte1/

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