Milho: Em semana mais curta, preços registram ligeiras valorizações no mercado interno brasileiro

12/02/2016

No mercado interno brasileiro, os preços do milho registraram ligeiras altas ao longo dessa semana mais curta devido ao feriado do Carnaval, comemorado na última terça-feira (9). Conforme levantamento realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Bitencourt Lopes, a valorização mais expressiva foi observada na praça de São Gabriel do Oeste (MS), na qual, a saca subiu 5,88% e fechou a semana negociada a R$ 36,00. Em Não-me-toque (RS), o preço também apresentou ajuste positivo, de 4,48%, com a saca do cereal a R$ 35,00.

Na região de Tangará da Serra (MT), a saca do grão encerrou a semana a R$ 29,00 e alta de 3,57%. Em Campo Novo do Parecis (MT), o ganho foi menor, de 1,79%, e a saca fechou a sexta-feira (12) a R$ 28,50. No Porto de Rio Grande, a alta foi de 1,65%, com a saca comercializada a R$ 43,00. Nas demais praças pesquisadas a semana foi de estabilidade aos preços.

Mesmo com as valorizações pontuais, os analistas já ponderam que os preços começam a se acomodar em patamares mais baixos e os negócios acontecem pontualmente. “Há duas semanas temos acompanhado esse movimento de acomodação de preços e até mesmo queda em algumas praças no início de fevereiro. E um dos fatores para esse cenário é o avanço da safra de verão, que apesar de ser menor do que a da temporada anterior, é um volume expressivo e capaz de atender a demanda do 1º semestre de forma satisfatória”, explica Lucílio Alves, pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Em um dos principais estados produtores do cereal na primeira safra, o Rio Grande do Sul, a colheita já alcança os 35%, de acordo com dados da Emater/RS. “As chuvas ocorridas no período beneficiaram as lavouras de milho do tarde. Altas temperaturas, radiação solar abundante e umidade do solo adequada aceleram o crescimento do milho e garantem o potencial produtivo das lavouras em enchimento de grãos. A produtividade média no RS já apresenta aumento em relação à estimativa inicial e com ótima qualidade comercial”, informou a entidade em seu boletim técnico.

Por outro lado, a redução no ritmo das exportações também contribuiu para o cenário. “Os line-ups já mostram uma redução de navios nas semanas seguintes nos principais portos, Paranaguá e Santos. Na parcial de fevereiro, temos cerca de 2 milhões de toneladas acumuladas”, diz o pesquisador. Na temporada 2014/15, o país embarcou cerca de 30,2 milhões de toneladas do grão, segundo dados oficiais da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

E os preços descolados dos praticados no mercado internacional, os preços no Brasil estão 25% acima dos observados nos EUA e na Argentina, o especialista diz que se torna mais atrativo aos produtores a venda no mercado interno. Já em relação aos leilões de vendas dos estoques públicos, Alves ainda ressalta que apesar do baixo volume ofertado, “as operações mudam a perspectiva dos agentes em relação ao ritmo do mercado, que tem oferta, mesmo que pontualmente”.

Paralelamente, a Conab realiza mais dois leilões na próxima terça-feira (16), com volume total ofertado de 150 mil toneladas. Ainda hoje, a entidade reportou os valores iniciais das operações, entre R$ 23,40 e R$ 31,20 a saca de 60 kg. No total, a projeção é que sejam negociadas 500 mil toneladas do grão. “No último leilão, vimos ágios nos lotes o que sinaliza que os compradores estão interessados no produto ofertado pelo Governo”, acredita.

BM&F Bovespa

Com o impulso do dólar, as principais posições do milho negociadas na BM&F Bovespa encerraram o pregão desta sexta-feira (12) em campo positivo. As principais posições do cereal registraram ganhos entre 0,60% e 2,34%. O vencimento março/16 subiu e avançou para R$ 42,02 a saca do cereal, o contrato maio/16 era negociado a R$ 38,70 a saca.

Por sua vez, a moeda norte-americana finalizou o dia com ligeira alta frente ao real, cotada a R$ 3,9895 na venda, com ganho de 0,15%. Na semana, a valorização foi de 2,03%, conforme dados da agência Reuters. O dólar foi alavancado pelo bom humor nos mercados externos em meio ao salto observado nos preços do petróleo. Contudo, persista a cautela em relação às perspectivas fiscais brasileiras.

Bolsa de Chicago

Os preços do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram o pregão desta sexta-feira (12) em queda. As principais posições do cereal exibiram perdas entre 1,00 e 1,50 pontos no fechamento da sessão de hoje. O vencimento março/16 era cotado a US$ 3,59 por bushel, já o maio/16 era negociado a US$ 3,63 por bushel. A semana também foi negativa aos futuros da commodity, entre 1,91% e 1,99%, conforme levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas.

De acordo com informações de agências internacionais, o mercado exibiu ligeiras movimentações frente ao final de semana prolongado nos EUA. Na próxima segunda-feira (15), não haverá pregão em Chicago para os futuros do grão devido ao feriado em comemoração ao Dia do Presidente. As negociações serão retomadas na terça-feira (16). Além disso, não há informações fundamentais que possam modificar os atuais patamares de preços praticados no mercado internacional.

Nem mesmo o boletim de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado essa semana, trouxe novidades capazes de mudar as cotações. O órgão revisou para cima os estoques de milho do país para 46,66 milhões de toneladas, contra as 45,77 milhões de toneladas estimadas no mês anterior. Já o cereal destinado à produção de etanol também subiu e passou de 132,09 milhões para 132,72 milhões de toneladas.

Em contrapartida, as exportações norte-americanas foram revisadas para baixo e recuaram de 43,18 milhões para 41,91 milhões de toneladas, na temporada 2015/16. Ainda ontem, o departamento reportou que na semana encerrada no dia 4 de fevereiro, as vendas de milho ficaram em 346,3 mil toneladas. Mais uma vez, o número ficou abaixo das estimativas dos participantes do mercado, entre 800 mil a 1,1 milhão de toneladas.

No total, o volume acumulado na temporada atual está em 24.751,1 milhões de toneladas. A quantidade está 26% abaixo do registrado no mesmo período do ano comercial 2014/15.

Frente a esse quadro, os participantes do mercado acompanham e buscam notícias sobre a safra na América do Sul. Ainda essa semana, Bob Burgdorfer, analista e editor do portal Farm Futures, reportou que os mapas meteorológicos indicam chuvas leves a moderadas para o nordeste do país ainda essa semana, onde já há milho pronto para a colheita. Nos EUA, as especulações giram em torno da próxima safra 2016/17. Isso porque, ainda não definições por parte dos produtores rurais a respeito da área destinada à semeadura do grão.

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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