ADM investe em produtos derivados para manter o desenvolvimento

13/02/2016

Em Santos, unidade da multinacional deve manter nível de operação

A produção de derivados de soja e outros grãos, de maior valor agregado, integra a estratégia da multinacional ADM (Archer Daniels Midland) para manter o desenvolvimento e estabilizar seus negócios no Brasil. Assim, a companhia deve voltar a movimentar 6 milhões de toneladas em seu terminal no Porto de Santos, na região da Ponta da Praia, neste ano. A quantidade é a mesma que vem sendo registrada há dois anos.

A instalação da empresa no cais santista atende a 58% da produção agrícola da companhia no País e a diversificação de atividades não prejudicará as operações portuárias ou alterar esse panorama. Objetivo é, na verdade, ampliar os embarques, uma vez que, para a multinacional, a chegada de novos produtos fortalece a atuação nas unidades, mesmo que indiretamente.

Por Santos, a princípio, continuarão a ser movimentados exclusivamente granéis sólidos de origem vegetal. Enquanto isso, a construção de um novo complexo de produção de proteínas de soja e óleos de cozinha (soja, milho, girassol e canola), em Campo Grande (MS), é encarada como uma forma de diversificar e aumentar a receita. Os investimentos são de R$ 750 milhões.

“É um projeto bastante inovador, que permitirá fabricar no Brasil ingredientes que atualmente são importados e que irá agregar valor aos negócios da ADM”, acredita o diretor de Logística e Portos da companhia, Eduardo Carvalho Rodrigues.

Ao analisar o panorama do agronegócio e do comércio exterior, o executivo não enxerga possibilidades de retração. Rodrigues está ciente da desaceleração econômica da China, mas destaca que a venda de grãos para os países da Ásia, da Europa, da África e da América do Norte continua a registrar números positivos, favorecendo o setor. “Além disso, a alta do dólar tem contribuído para melhorar o desempenho de todas as exportações brasileiras”, afirma.

Mas a empresa se preocupa com o “Custo Brasil” – as dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem os investimentos e retardam o desenvolvimento. Ao ampliar a presença no País, a ADM quer encontrar alternativas para promover uma operação mais eficiente e sustentável, com a utilização de outros meios de transporte.

“Estamos aumentando nossa participação no modal ferroviário em 2016, o qual responderá por quase 30% do volume que foi movimentado em 2015, além de estarmos voltando a operar as barcaças pela hidrovia Tietê-Paraná”, adianta o diretor. Afetada pela estiagem, a principal via fluvial para o escoamento de cargas do Estado retomou as operações no último dia 27.
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Instalações da ADM no Porto de Santos reúnem os armazéns XLIII (43 externo), XLI (41 externo) e 39

Até o final de 2017, o terminal da ADM do Brasil no Porto de Santos, na região da Ponta da Praia, deverá reduzir em pelo menos 80% a emissão de partículas no meio. O custo do projeto deve ultrapassar os R$ 207 milhões inicialmente previstos.

Entre as medidas que serão adotadas para reduzir os impactos ambientais do terminal, que reúne os armazéns 39, XLI e XLIII (41 e 43 externos), está a compra de dois shiploaders (equipamento de embarque de grãos nos navios) com tecnologia inglesa. Cada um custa em torno de R$ 35 milhões. Eles possuem uma espécie de “saia” no tubo que lança a carga nos porões dos navios. Com ela, o material particulado não se desprende dos grãos. Esse artifício é a principal diferença desse modelo em relação ao aparelho – único – que o terminal possui hoje. O atual equipamento despeja as commodities no porão livremente, formando uma nuvem de poeira.

Segundo o gerente de Relações Portuárias da empresa no Brasil, João Almeida, a aquisição dos shiploaders foi uma das 17 demandas apontadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para a emissão das licenças que liberam a operação no local. Cada carregador é capaz de embarcar 2 mil toneladas de grãos por hora, o que dobra a capacidade do equipamento atual, que opera há 15 anos e será desativado.

Outra novidade é a instalação de esteiras blindadas, que impedem a emissão de partículas entre os armazéns. “Também vamos distribuir mais ‘tartarugas’ na pista em que os caminhões fazem os trajetos. Ao trepidar nesses locais, eles acabam eliminando os grãos que ainda ficam presos (na carroceria), evitando que eles se soltem ao passar pelos paralelepípedos das vias externas ao terminal”, explica Almeida.

Entre outros investimentos, está a implantação de elevadores de cargas vedados, 19 novos conjuntos de filtros (totalizando 26), sistemas de captação de particulados, equipamentos de limpeza por ar comprimido, aparelhos de aspersão de óleo (na carga que passa pelas esteiras, de modo que o pó não se solte) e moegas inteligentes (que se abrem e fecham com o peso do grão, evitando que o pó suba), além de portas automáticas. “Também estamos reconstruindo o Armazém 39, então mais antigo, rente ao costado. Com o novo, vamos ampliar a capacidade anual de 6 milhões para 8 milhões de toneladas”, explica.

Segundo Almeida, uma consultoria inglesa foi contratada para auxiliar no projeto, que também ouviu moradores da Ponta da Praia. A partir das sugestões colhidas com a população, a ADM vai instalar uma parede “verde” (com vegetação) em frente ao terminal, oferecendo uma nova estética ao ambiente portuário e reduzindo eventuais barulhos. Essa parte do projeto prevê plantar palmeiras no canteiro central da Avenida Mário Covas e aplicar trepadeiras no gradil de toda a instalação. O início das obras será acordado com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

Fonte: A Tribuna

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