Sem ciência, sem futuro

15/02/2016

Nossos cientistas – integrados à ciência e tecnologia internacional – são os potencializadores de nosso agro

No Canadá, o chefe de governo eleito no final de 2015 (J. Trudeau) está oxigenando a administração pública. A começar por um critério macro, promessa de campanha já cumprida após a posse, que previa mulheres ocupando 15 dos 30 ministérios. Perguntado sobre o porquê de um gabinete igualitário entre gêneros, respondeu: “Porque é 2015”. Século XXI.

No gabinete canadense, a gestão ambiental posicionou-se com um novo conceito perante a sociedade: mudou de Ministério do Meio-Ambiente para Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática, fazendo um alinhamento automático e de responsabilidade explícita com uma questão ambiental primordial, da atualidade.

A contemporaneidade do gabinete canadense também está no tratamento prioritário reservado à ciência que – junto com a democracia – será pilar estratégico para atravessarmos com sucesso este século e seu dinâmico mundo.

Para isso, o governo canadense criou um Ministério da Ciência e lá colocou um cientista de renome, aparentemente com a tarefa de fomentar ciência pura e pesquisas de interesse público em áreas que no momento estão recebendo pouca atenção do capital privado.

Até então, a gestão de Estado para a ciência como um todo, estava alocada no Ministério da Indústria, Ciência e Desenvolvimento Econômico, que conserva um papel de gestão científica, mas agora com foco no estímulo da inovação tecnológica no setor privado.

Ou seja: criou-se uma nova estrutura para incentivar a ciência pura e um foco renovado para estimular a evolução tecnológica na economia real – do chão da fábrica à amplitude dos campos. Coisa um pouco diferente do que acontece aqui em nossas paragens tropicais, onde a gestão de Estado para a ciência anda meio cabisbaixa.

Não é que esse modelo caia como uma luva aqui no Brasil. Talvez sim, talvez não, é preciso estudar, pois temos realidades, exigências e anseios diferentes. No entanto, o importante é que, por trás da proposta canadense, parece haver um pensamento estratégico e um propósito claro de alavancagem científica e de inovação.Powering science, todo poder à ciência, como palavra de ordem.

À primeira vista, isso pode parecer meio distante para empreendedores e lideranças do nosso agronegócio. Mas basta lembrar o papel que a pesquisa agropecuária teve no progresso do nosso agronegócio, dos anos 1970 para cá, para ver que ciência tem tudo a ver com o futuro que queremos ter na produção de alimentos, fibras e energia renovável.

Nossos cientistas – integrados à ciência e tecnologia internacional – são os potencializadores de nosso agro. Já fizeram um trabalho heroico no passado, continuam a ser referência de excelência científica nos trópicos e certamente passa por eles um porvir de liderança internacional para o agronegócio brasileiro. Vamos cultivar aciência e os cientistas do agro. Sem eles, não há futuro.

Por Coriolano Xavier, Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM.

Fonte: Assessoria de Comunicação CCAS

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