Polêmica na América Latina por uso do larvicida Pyriproxyfen

16/02/2016

Uma verdadeira polêmica se instaurou na América Latina a partir da hipótese levantada pela ONG PCST (Physicians in the Crop-Sprayed Towns), na qual médicos e pesquisadores argentinos afirmam que a má-formação cerebral – causada pelo zika vírus – poderia ser agravada pelo larvicida Pyriproxyfen. O produto, fabricado pela Sumitomo Chemical, é usado amplamente pelo governo brasileiro no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

Com a divulgação do relatório da PCST, a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul suspendeu neste final de semana as aplicações de Pyriproxyfen. “Decidimos suspender o uso do produto em água para consumo humano até que se tenha uma posição do Ministério da Saúde e, por isso, reforçamos ainda mais o apelo à população para que elimine qualquer possível foco do mosquito”, explicou o secretário estadual da Saúde, João Gabbardo dos Reis.

No entanto, a hipótese da ONG não foi validada por nenhuma instituição científica, tendo sido apenas publicada no site da Rede Universitária de Ambiente e Saúde (REDUAS). O Ministério da Saúde se pronunciou oficialmente alegando que não existe estudo epidemiológico ligando o uso de Pyriproxifen à microcefalia.

O governo brasileiro sustenta ainda que o produto é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em nota, o Ministério da Saúde garante que utiliza apenas produtos que passem por “rigoroso processo de avaliação da World Health Organization Pesticed Evaluation Scheme (WHOPES)”, e que o Pyriproxifen “possui certificação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”.

“Ao contrário da relação entre o vírus zika e a microcefalia, que já teve sua confirmação atestada em exames que apontaram a presença do vírus em amostras de sangue, tecidos e no líquido amniótico, a associação entre o uso de pyriproxifen e a microcefalia não possui nenhum embasamento cientifico”, afirma o comunicado oficial.

A fabricante do produto, Sumitomo Chemical, esclarece “que não há nenhuma base científica” na afirmação da ONG PCST. “Pyriproxyfen é um produto aprovado pela Anvisa para uso em campanhas de saúde pública, como inseticida-larvicida, controlando vetores de doenças, dentre os quais mosquitos Aedes aegypti, Culex quinquefasciatus e mosca doméstica”.

O produto é registrado no país desde 2004 e que também é utilizado no combate do Aedes aegypti em países como Turquia, Arábia Saudita, Dinamarca, França, Grécia, Holanda, Espanha, República Dominicana e Colômbia. “Segundo a OMS, em seu documento Pyriproxyfen in Drinking-water, publicado em 2004 – também publicado pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) em 2001 -, o Pyriproxyfen não é mutagênico, não é genotóxico, não é carcinogênico nem teratogênico. O produto foi submetido a rigorosos testes toxicológicos que não demonstraram efeitos sobre a reprodução, sobre o sistema nervoso central ou periférico”, diz a nota da Sumitomo.

Uso na Agricultura

O Pyriproxyfen é utilizado na agricultura para o controle de insetos. A bula do produto pode ser consultada no sistema Agrolinkfito, sendo recomendado para controlar:
Cochonilha (Orthezia praelonga)
Cochonilha pardinha (Selenaspidus articulatus)
Cochonilha parlatoria (Parlatoria cinerea)
Psilideo (Diaphorina citri)
Bicho mineiro (Leucoptera coffeella)
Mosca branca (Bemisia tabaci raça B)
Tripes (Thrips palmi)
O produto é apresentado em 3 diferentes formulações e marcas comerciais Cordial 100, Epingle 100, Tiger 100 EC e em diversas embalagens. Se observa uma preocupação em dar tempo para que o produto degrade com o chamado prazo de carência. As culturas recomendadas têm um intervalo antes de ser direcionada a comercialização. Veja o espaço entre a última aplicação e o tempo de remessa para as feiras e mercados:
Algodão: 7 dias, Berinjela 3 dias
Café: 15 dias
Citros: 14 dias
Feijão: 14 dias
Maçã: 45 dias
Melancia: 3 dias
Melão: 14 dias
Pepino: 1 dias
Repolho: 14 dias
Soja: 30 dias
Tomate: 7 dias
Uva: 14 dias

Autor: Leonardo Gottems

Fonte: Agrolink

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