Opinião: empresas do agro precisam integrar seleção de profissionais

17/02/2016

Em artigo, o headhunter Jeffrey Abrahams fala da necessidade das empresas do setor buscarem profissionais melhor qualificados
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É fato que o cenário macroeconômico e as turbulências políticas sempre afetam os negócios, independente do setor e do tamanho da organização. Ainda mais agora, diante de uma crise institucional. E no agronegócio não é diferente. Estaríamos sendo inocentes se falássemos que o principal motor da economia brasileira – e ainda é – não está sofrendo com os reflexos disso tudo. Mesmo com a volatilidade cambial favorável às exportações, a alta da inflação afeta dramaticamente o custo dos insumos e, consequentemente, o resultado final da produção e das indústrias agrícolas. Adicionalmente, a seca em algumas regiões do país afetou consideravelmente a produtividade.

Estamos diante de um cenário em que a escassez de crédito e os juros altos impactarão de maneira mais atenuada os resultados da indústria nesse ano. Uma reprise do que vimos em 2015, mas agora de maneira amplificada. Esse contexto afeta diretamente a chegada de novos investimentos que receiam embarcar num navio que passa por grandes tormentas. Assim, as empresas nacionais são forçadas a continuar cortando custos, não somente a gordura, mas até alguns músculos. Por outro lado, os ativos brasileiros em termos de euro ou dólar estão com preços de liquidação.

Recentemente ocorreram grandes fusões globais de tradicionais empresas no setor de insumos e o impacto disso chegará ao Brasil neste ano. Isso trará redução de estruturas e busca por otimização de funções, como também mais força na oferta dos produtos. Existe sim um movimento em consolidação dos setores reduzindo o número de empresas atuantes. É, portanto, uma tendência geral que chega à rede de distribuição e até aos próprios fabricantes, que enfrentam a enorme disputa de acesso ao mercado. Mais ou menos como aconteceu nos EUA.

Qualquer mega movimento tem reação em cadeia em todo o setor de defensivos agrícolas, por exemplo. Os chineses começam a desembarcar por aqui, fortes e estratégicos, assim como outras empresas asiáticas, buscando uma fatia cada vez maior desse mercado. Já vemos significativos investimentos no Brasil, e chegarão mais. Porém, ao mesmo tempo, abrem espaço para nichos operados por empresas nacionais, permitindo o posicionamento dos negócios na arena internacional.

Atividade de longo prazo

Contrabalanceando, os mais realistas e conhecedores sabem que o agro é uma atividade de longo prazo. E mesmo sob a bruma da crise, sofrem os vales e depois voltam a crescer. Nesse quadro, já percebemos a fome dos asiáticos pelo Brasil. Não somente no futebol, mas em campos de soja, milho e algodão.

À sombra da crise, muitas empresas, tanto de produção como distribuição, têm passado por ajustes financeiros, de capital humano. Esse movimento gera uma corrida por profissionais mais dispostos e melhor qualificados. Hoje, o tipo do recrutamento para o agronegócio depende muito do nível da posição dentro da estrutura organizacional. Quando necessitam de uma busca chave, confidencial e estratégica, recorrem às empresas de executive search. Isto é, de busca consultiva que trabalham próximos ao gestor, conselho e ao RH estratégico. Sua função primordial é mitigar o risco de uma contratação errada, que poderá custar muito caro, caso não se encaixe à cultura e aos valores da empresa.

Esse processo exige uma dinâmica diferente e estruturada. A empresa que não seguir o processo com disciplina espartana correrá o risco de errar na reestruturação ou mesmo na profissionalização que muitos necessitam e querem. Por isso, é imperativo que ocorra uma parceria de fato para sincronizar o recrutamento em todas as suas etapas críticas. Essa forma exige um headhunter com experiência no setor. Muitas vezes, é necessário ainda recorrer a outros setores para preencher a posição.

É sabido que o agronegócio brasileiro ainda enfrenta enormes gaps conjunturais e paradigmas que precisam ser quebrados com o dito eixo “Avenida Paulista / BR-163”. Para retomarmos a força toureira de outrora, é claro que contando com o assentamento e o bom-senso de Brasília, precisamos efetivar as mudanças internas, afim de otimizar toda a cadeia. Chega da história que executivo brasileiro corresponde a 20% da produtividade do americano. Chega de rótulos fora de moda. A força do campo é “made in Brazil”.

POR JEFFREY ABRAHAMS

Fonte: Globo Rural

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